“Eu não estou interessado em fotografar coisas novas – Estou interessado em ver coisas novas ”

Ernst Haas ficou conhecido pelas suas imagens a cores em movimento, numa perspectiva impressionista que, às vezes, se aproxima da pintura abstracta. Nitidez e clareza são dois elementos que não estão presentes nos trabalhos de Ernst, as suas fotografias são desfocadas e até mesmo imperceptíveis.

Não precisa muita pesquisa em fotografia para o nome Ernst Haas aparecer na bibliografia de qualquer interessado no assunto. Austríaco, Haas chegou a presidir a famosa agência Magnum, além de ser conhecido como um dos pioneiros da fotografia colorida. Títulos e biografia à parte, o que de fato interessa no legado desse fotógrafo são, obviamente, suas imagens, e o porquê elas têm um impacto tão determinante no uso das cores.

Já nos anos 40, enquanto trabalhava para a Magnum, Haas fazia tanto reportagens quanto retratos e até trabalhos de moda, e colaborou com revistas como Vogue e, principalmente, Life. Foi durante seus trabalhos que o fotógrafo começou a experimentar a cor. Nessa época, o colorido era pouco usado. Primeiro, pelo motivo óbvio: ainda não existiam bons filmes para usar, e os poucos bons eram muito caros. Segundo e mais importante, porque a maioria dos fotógrafos via na cor um problema, uma alternativa simplista para apenas ilustrar a realidade.

Pode parecer absurdo hoje, mas a imagem preta e branca não só estava no auge como essa suposta limitação dos tons permitiu o desenvolvimento da linguagem fotográfica. Digamos que, sem cores, fotógrafos foram desenvolvendo outras maneiras de retratar suas reportagens ou mesmo de fotografar subjetivamente. O próprio Cartier-Bresson, fundador da Magnum e amigo de Haas, era radicalmente contra o uso da cor. Seus enquadramentos perfeitos faziam das suas fotos algo muito além de uma mera captura da realidade. Ele falava da vida como um todo, sempre, qualquer que fosse o assunto à sua frente. As linhas e formas da vida interessavam e diziam mais do que as cores ou a realidade em si. Segundo ele, a cor aniquilava os valores tridimensionais da fotografia.

Ainda assim, Haas foi aos poucos experimentando os tons além do cinza. Demorou para suas fotos coloridas fazerem parte do portfólio profissional, mas o fotógrafo insistia em mostrar suas novas experiências para outros. E foram desses experimentos – e dessa insistência – que ele entendeu como a cor poderia servir para algo além da fidelidade ao real. As cores começaram a ganhar vida, a incitar sentimentos profundos em quem as vê ampliadas em qualquer formato. Talvez não sejam todos que sintam isso, mas fato é que ele conseguiu entender o potencial expressivo da cor, e desenvolveu sua linguagem a partir disso.

Foi na Life que ele emplacou a primeira matéria e, melhor ainda, uma reportagem de 24 páginas num formato inédito da revista. Intitulada “Magic Images of a City”, um ensaio fotográfico de Nova York. Desde então, grande parte do seu trabalho passou a ter cor, e foi assim até sua morte, em 1986, aos 65 anos.

Hoje, a fotografia colorida é tão ou mais comum que a preta e branca. Seja no chamado uso doméstico, no profissional ou artístico, ela ganhou sua devida dimensão entre todo tipo de fotógrafo. Muitos artistas dominam a cor tão bem quanto o Ernst Haas, ou até melhor do que ele. E claro que, depois do reconhecimento dele e de outros contemporâneos que também arriscaram entender essa “nova” ferramenta, a cor tem sido usada de maneiras completamente distintas das que Haas encontrou.

Digamos que o vermelho de um fotógrafo nem sempre é o mesmo vermelho do outro, e assim por diante. Cada tom de cada escala pode sugerir um sentimento diferente. Aceitar e investigar a cor abriu um leque infindável de possibilidades na história da fotografia. O que se sabe é que é um universo muito diferente da concepção de fotografia de um Cartier-Bresson. As cores nem sempre são precisas ou funcionam dentro de contornos. Elas inevitavelmente são sentidas em outro campo, e isso diz muito sobre quem as usa.

Preto e branco ou coloridas, no final das contas, as fotografias estão sempre buscando algo em comum. Diferentes, mas iguais em algum sentido. Talvez seja por isso que o próprio Ernst Haas, mesmo quando passou a priorizar a cor, nunca esqueceu ou menosprezou os tons de cinza que, não custa lembrar, ele também sabia usar como ninguém. Fonte : http://wowberlinmag.com/ernst-haas-e-cores-inventadas/

 

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